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Continuarão nos matando

  • Foto do escritor: Toninho Dias
    Toninho Dias
  • 21 de jul.
  • 2 min de leitura

Enquanto continuarmos fragmentados, divididos.

Não adianta ter carro de luxo. Não adianta morar na zona nobre. Não adianta viver em condomínio fechado. Não adianta ser médico, engenheiro ou cientista.

Para a sociedade, você não é igual a eles. Você é preto.

É a sua cor, são os estereótipos que determinam como enxergam a sua humanidade. E você não é visto como iguais a eles.

A estrutura histórica sempre nos colocou como inferiores. E essa estrutura continua viva — firme e forte até hoje.

Somos suspeitos antes de qualquer coisa. Somos animalizados. Somos vulneráveis diante dessa estrutura construída por séculos de opressão.

Uma estrutura sustentada por instituições, por discursos religiosos, como a chamada maldição de Cam, que dizia que o povo preto não tinha alma e podia ser tratado como animal.

Uma estrutura reforçada por documentos como a Dum Diversas, que autorizava   escravização de povos africanos com a bênção da igreja.

Foi assim que tudo foi construído.

E não adianta nossa ascensão social: essa estrutura não nos absorve. Não somos vistos como iguais. Nos querem em posições de servidão. Nos acostumaram a isso.

O problema é que fomos ensinados a acreditar nisso. Acreditar que somos inferiores. A aceitar o inaceitável. As correntes continuam nos nossos pensamentos.

Nós mesmos, muitas vezes, reproduzimos a ideia de que somos menos dignos. E isso facilita a aceitação da violência contra os nossos corpos. Associam nossa cor ao perigo. Ser preto é ser suspeito.

Se está na comunidade, é traficante ou usuário. Se está com um guarda-chuva na mão, dizem que é um fuzil — e atiram. Depois dizem que foi engano. Soltam uma nota de repúdio, e isso acalma a nação.

A morte do povo preto vira espetáculo. Dá audiência. Vira tendência nas redes sociais.

Elegem políticos que defendem a morte como política pública, forma de higiene e de limpeza. Para o preto do morro, a execução vira solução.

E enquanto isso, não existem projetos, não existem políticas, só bala, mira e corpos negros no chão.

Ela é preta? Atira. Ele é preto? Suspeito.

Mata com tiro na cabeça, como exemplo. A moral da opressão nos ensina a aceitar a violência. Não reagimos quando um dos nossos cai, porque fomos ensinados que ele merecia.

“Bandido bom é bandido morto.” “CPF cancelado.”

Fomos educados para a submissão. Para aceitar os açoites. Para acreditar que somos inferiores. E assim, não nos indignamos com a morte dos nossos.

Essa estrutura nos encarcera, nos mata, nos marginaliza pela cor da nossa pele.

Não adianta ser médico, não adianta ter carro do ano. Sua cor ainda é suspeita. E você continua na mira de uma estrutura que insiste em nos vermortos no chão.

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