Participação e intervenção cidadã
- Adão Ferreira

- 24 de mai.
- 2 min de leitura
Atualizado: 26 de mai.

A opinião pública vem passando por inúmeras transformações nos últimos anos. A popularização da internet e o relativo aumento de interesse nos assuntos públicos têm contribuído para um choque de consciência sobre a importância da participação cidadã em todos os âmbitos sociais.
Embora o “letramento cidadão” no Brasil, especificamente, tenha ocorrido de forma gradual (certo, trata-se de um processo que demanda tempo) já é possível perceber incentivos provenientes de diversas áreas do conhecimento, de instâncias públicas e dos próprios órgãos governamentais, visando a que a população exerça, de fato, a cidadania. Afinal, uma sociedade cidadã se constrói de maneira coletiva e colaborativa.
No entanto, apesar desse cenário promissor, que propõe maior aproximação entre Estado e sociedade, é possível identificar resistências por parte de setores mais conservadores, que tentam, a todo custo, manter seus privilégios sem questionar estruturas autoritárias, avessas que são (ou estão) ao diálogo e às demandas populares em um Estado dito democrático e de direitos.
Precisamos lembrar do que já alertava Platão há séculos: “A penalização por você não participar na política é acabar sendo governado pelos seus inferiores.” Por isso, é preciso melhor informar ao público que todas as grandes conquistas sociais, inclusive o direito à opinião, ocorreram graças à pressão popular, às lutas por direitos e às mudanças de paradigmas exclusivistas e monopolizados.
O problema é que, no Brasil das últimas décadas, as instituições públicas vêm perdendo parte de sua credibilidade junto à opinião pública devido aos recorrentes escândalos de corrupção, noticiados pelos meios de comunicação tradicionais e sensacionalizados em redes sociais, sobretudo sobre o mau funcionamento dos serviços públicos e ao mau comportamento de seus agentes.
Infelizmente, como nem tudo que está nos meios é verdade (ou mentira) e quase sempre visa apenas interesses individuais, é preciso “desinformar” a desinformação dada ao público com fatos e dados de instituições sérias comprometidas com a democracia e com o país.
Sorte que existem os movimentos pró-cidadania que têm estimulado a população a refletir e agir diante do poder público, exigindo transparência e maior eficiência na prestação dos serviços. Mas isso não cabe somente a esses movimentos sociais.
É preciso que as intuições públicas também o façam. Como? Ampliando o tema da cidadania nos espaços públicos, com debates, além de promover campanhas de divulgação — nas redes sociais, nos meios de comunicação tradicionais, nas escolas, universidades e instituições públicas e privadas — no sentido de instigar o povo a participar, denunciando irregularidades e propondo melhorias. Mas com verdade.
Afinal, como enfatizou certa vez o poeta Carlos Drummond de Andrade: “A ignorância, a cobiça e a má-fé também elegem seus representantes políticos.”



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